DESTAQUES

CURTA CUARTA EM CASA

 

03 abril

OPERAKATA

Seguindo a programação do Curta Cuarta em Casa, a CazAzul vai bater um papo mais do que especial com um dos mais importantes grupos de teatro da Bahia, a CIA OPERAKATA DE TEATRO. 
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Com uma bem estruturada trajetória baseada em muita pesquisa e num apurado e vigoroso trabalho de atuação, a trupe vai abrir o coração para Adriana Amorim num encontro que tratará especialmente da participação em festivais nacionais e internacionais com seus mais importantes trabalhos, e vai relembrar processos de criação que marcaram a história do grupo. 
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Amada por todos e todas que conhecem seu trabalho, sem dúvida a @Operakata vai fazer desta live um encontro marcado por reflexões acerca da beleza, da delicadeza e da potência transformadora do fazer teatral. 

BLOG DA CAZAZUL

 

Prezados parceiros e parceiras, amigos e amigas da CazAzul,

Diante da mais grave crise que nossa geração já vivenciou e respondendo a cada novo acontecimento e às perspectivas que continuamente se apresentam e se transformam, tivemos que tomar algumas decisões relacionadas à nossa escola.

Como vocês sabem, todos os espaços culturais e instituições de ensino presencial estão impedidas de funcionarem, em decorrência do isolamento social necessário neste período.

Além disso, nosso prognóstico para os próximos meses também não é dos melhores, tendo em vista que, mesmo quando acabar a quarentena, provavelmente ainda teremos restrições quanto a atividades que provoquem aglomeração, como é o caso de apresentações artísticas, e acreditamos também que com a crise financeira as pessoas não investirão em cursos de artes e eventos culturais.


Imaginamos que saibam que o imóvel da CazAzul é alugado. Como nunca recebemos nenhum recurso público ou patrocínio privado para realização de nossas atividades culturais, todo o funcionamento da instituição durante estes quase quatro anos se estruturou numa soma de esforços da equipe que investia, cada um a seu modo, recursos que fizeram com que a CazAzul existisse. Alguns com recursos financeiros diretos, outros com sua inteligência, criatividade, seu tempo e sua força de trabalho. Isso, somado ao que recebíamos pelos trabalhos realizados (aulas e atividades culturais de toda ordem para diferentes clientes) garantiu nossa sobrevivência até aqui.

Com a interrupção total destas atividades culturais e formativas e com a expressiva diminuição das mensalidades recebidas pelas aulas dos Cursos Livres de Teatro (Culte), diante da mudança de metodologia imposta pelo estado de quarentena e isolamento social, nossos recursos se escassearam rapidamente. Mantivemos a folha de pagamento no sentido de darmos suporte à equipe nesse momento de crise, sendo esta nossa total prioridade. Neste contexto, infelizmente, é inevitável a entrega do imóvel, visto que não há perspectiva de entrada de recursos que garantam o pagamento do aluguel e demais despesas e tributos nos próximos meses.


Até o momento, nós continuamos com o curso de teatro online porque é a única forma possível atualmente, e também para ajudar no custeio das remunerações da equipe. Além disso, percebemos que os encontros semanais têm sido, para algumas pessoas, um momento de prazer e alívio neste cenário triste que vivemos. Mas igualmente compreendemos que algumas pessoas não se adaptam a esta modalidade, não queiram ou não tenham condições de continuar.

As incertezas do futuro, relacionadas não apenas à pandemia do coronavirus, mas também à grande crise econômica que já se anuncia, nos obrigam a recuar e pensarmos em novas estratégias de existência. Sem dúvida, uma das áreas mais afetadas com a crise será a área da cultura, que sucumbirá mais rápido, e mais lentamente se reerguerá, do ponto de vista financeiro. Os encontros presenciais e os eventos que requerem aglomeração de pessoas deverão levar muitos meses, ou mesmo anos, para voltarem a acontecer expressivamente. Até lá, nós, artistas e profissionais da cultura, buscaremos formas de nos reinventar, como, aliás, sempre fizemos.

Expostos os fatos, informamos que desocuparemos o imóvel alugado onde atualmente funciona a escola (na Av. Rosa Cruz), mudando a sede da CazAzul para outro endereço, onde faremos apenas expediente interno e onde guardaremos parte de nosso patrimônio, na esperança de que um dia possamos reabrir nosso espaço e receber de novo todo o público, crianças e adultos que anseiam por arte, afeto e respeito.


Informamos também que iremos finalizar nosso período letivo no final de maio, com uma programação à distância que envolva os alunos e alunas que permaneceram fazendo o Culte On Line. Tentaremos seguir atuando virtualmente em algumas frentes, como o Curta Cuarta Em Casa (lives do instagram sobre teatro e cultura).

Gostaríamos ainda de informar que, em qualquer ação formativa que a CazAzul venha a realizar, virtual ou presencialmente, as pessoas que estiveram conosco nesse momento de dificuldade (e que puderam muito compreensivamente colaborar com o pagamento dos profissionais) terão acesso franqueado aos nossos produtos e serviços.

São tempos desafiadores. Vivemos um momento histórico ímpar. Momento de perdas, de dores, de muito aprendizado. Vivemos um momento de reconfiguração. A pauta única e absoluta, no momento, é garantir a vida. É cuidarmos da nossa humanidade, no sentido mais pleno do termo, desde nossos entes queridos até aqueles que não conhecemos mas que, em todo o planeta, passam pelo mesmo desafio que nós. Precisamos sobreviver.

Nós, da CazAzul Teatro Escola, seguiremos buscando vencer a tristeza que, sem dúvida, nos assola com esta decisão tão dolorosa, aceitando as imposições da natureza, avaliando nossas posturas e investigando formas de melhorarmos a nós mesmos e, sobretudo, de melhorarmos o mundo em que vivemos. Em gratidão e respeito a essa imensa e generosa casa azul que nos abriga: nosso Planeta Terra.

Obrigada a todas e todos que estiveram conosco nesta caminhada. Sigamos juntos!


Adriana Amorim

Idealizadora e conselheira da CazAzul


Hendye Gracielle

Diretora da CazAzul


Yarle Ramalho, Joanne Vale, Mariana Diniz, Hannah Abnner, Priscila Amaral, Vicente di Paulo, Leonam Sandes, Géssica Emanuele

Equipe CazAzul







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Adriana Amorim

“Queria olhar para o futuro e ver algo melhor do que um presente piorado”

(Lourenço Mutarelli )

Uma gripe que vem da China, se alastra por todo o planeta, causando pânico e terror. Um programa cruel de demissão voluntária. Isolamento social. Quarentena absoluta. Letalidade para idosos. Aeroportos e fronteiras fechadas. Há apenas quatro meses, em dezembro de 2019, na 6ª Mostra CULTE, a Turma Adulta dos Cursos Livres de Teatro levou ao palco principal do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima em Vitória da Conquista, esta que era, até então, considerada uma história fantástica, herdeira direta do Teatro do Absurdo. Dirigida com precisão por Vicente di Paulo, a peça escrita em 2007 por Lourenço Mutarelli “O que você foi quando era criança?” quando reassistida (pelo canal do youtube da CazAzul Teatro Escola) no contexto atual, chega a assustar. É certo que muitas peças de teatro quando revisitadas se revelam extremamente atuais. Mas essa… neste momento exato, é realmente impressionante.

Espetáculo "O que você foi quando era criança". Direção de Vicente di Paulo. Na 6ª Mostra Culte. Foto: Erica Daniela

Sabendo que a arte antecipa futuros, seja por utopias que após muita luta social se tornam realidade ou por distopias que lamentavelmente se confirmam, ficamos diante da inquestionável certeza de que na história da humanidade, a arte é perene: vem primeiro, fica durante e permanece depois. Anunciando o futuro, testemunhando o presente e ressignificando o passado, ela se configuraria perfeitamente como um mundo paralelo ao mundo real… se com ele não se chocasse tantas vezes.

Shirley: "Eu tenho medo dessa gripe." Foto: Erica Daniela

A assustadora “coincidência”, porém, não se resume ao vírus da gripe Chinesa. Não. Há muito mais em cena. Escrito em 2007, o texto traz como personagem um insano misógino que acha que é o próprio Messias. Se assustou? Eu também. Um palhaço desempregado e uma mulher invisível se juntam ao rol de personagens proféticos. Ora, não precisa muito esforço para “não vermos” a mulher ausente do atual governo, dos cargos de poder, das esferas decisivas, depois do golpe de estado que destituiu da Presidência da República, a primeira mulher eleita pelo povo para o cargo. É eloquente também a imagem contida na metáfora do palhaço desempregado. A precariedade da indústria cultural, o abandono do artista à própria sorte, os sucessivos cortes de verbas para o cinema, teatro, música e tantas outras linguagens artísticas. É o próprio fechamento do circo, a morte do elefante e o abandono definitivo do palhaço.

“O que você foi quando era criança” é uma pergunta que, apesar de não ser feita ao longo da peça, invade insistentemente nossas cabeças. No desfile de tipos esdrúxulos, de pessoas adoentadas, acometidas pelos mais diversos males que vão desde uma simples covardia até a mais dolorosa solidão, ecoa a pergunta: “O que terá sido feito a cada uma dessas figuras, em seus passados, em suas infâncias, para terem chegado a onde chegaram, para terem ficado assim como são?” No catártico final da peça, com algumas dores reveladas, instaurada a absoluta incapacidade de respirar, sonhos da distante infância relembrados, sentimos que há algo de errado no ar… E não é apenas um vírus.

Espetáculo "O que você foi quando era criança". Direção de Vicente di Paulo. Na 6ª Mostra Culte. Foto: Erica Daniela

Na dúvida, minha gente: Arte. Na certeza: Arte. Na infância, na juventude e na velhice: Arte. Na saúde e na doença. Para que a gente tenha condições de ler a vida. Para que a gente tenha condições de prescrever, transcrever e reescrever a nossa história: Arte. Para que a gente consiga ficar em casa enquanto for preciso: Arte. Para que a gente reconstrua um mundo para o qual valha a pena voltar depois da quarentena: Arte! Antes que seja tarde: Arte. Ontem, hoje e amanhã: Arte. Arte, arte, arte.

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