DESTAQUES

CURTA CUARTA EM CASA

 

13 Maio

Rodrigo Dourado

CURTA CUARTA EM CASA #3: TEATRO À DISTÂNCIA: O PARADOXO NECESSÁRIO✨
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O isolamento social que estamos enfrentando e a recente desintegração do espaço físico da CazAzul mostraram a urgente necessidade de construirmos novas formas de fazer teatro, tanto do ponto de vista da PRODUÇÃO quanto da FORMAÇÃO nesta arte da cena. Para refletir sobre o ensino de teatro nas atuais circunstâncias, Adriana Amorim convida o  Professor da Universidade Federal de Pernambuco, ator, diretor e dramaturgo RODRIGO DOURADO. 🤩
👉🏽Lembrando que estaremos em um novo horário: às 17h desta quarta-feira, 13 de maio.

BLOG DA CAZAZUL

 

Em 2013, o Blog Arte do Espectador publicou um texto sobre a apresentação do "Circo do Soleinildo" no Festival Verão Cênico, aqui mesmo em Vitória da Conquista. O texto fazia parte de uma experiência de cobertura e análise de espetáculos feitas por Adriana Amorim. Abaixo trecho do texto que fala especificamente sobre a peça, que volta ao palco do Centro de Cultura, em temporada comemorativa. No texto são citados o ator Isac Flores e Shirley Ferreira, nos papéis representados atualmente por GIlsérgio Botelho e Ricardo Fraga, respectivamente. O Caza da Palavra considera importante recuperar esse registro, mesmo tendo se passado mais de cinco anos, já que as questões continuam tão urgentes e abrangentes quanto naquela ocasião.


Kécia Prado em atuação inesquecível

"O Circo de Soleinildo é daquelas obras que de tão simples, mas de tão simples, a gente pára e quase nem respira. Sabe aquelas obras que a gente sente que nos melhoram como pessoa? Aquela que a gente pensa, como não haviam feito isso antes? O Circo... é assim.

E em sua metalinguagem O Circo de Soleinildo fala mais, muito mais do que da vida de artista. Porque eu, honestamente, acho que o artista é um extrato pleno e vigoroso do ser humano. A gente representa o exagero de tudo aquilo que todo mundo tem, mas a gente assume, a gente aumenta, a gente estrangula ao máximo tudo o que passa por nós.

A dor e a solidão, a insegurança, a tristeza, a dúvida, a vontade de continuar, o medo de parar, aquele sentimento de 'e agora?' esses sentimentos todos são de todos nós, mas o artista, sempre em sua vida e em sua obra, os viverá intensa e declaradamente.

É tanta coisa para se dizer deste espetáculo que eu vou pular as partes sobre as quais muito já se falou. Eu não vou falar que o texto dramático é primoroso, que a encenação é irretocável, que os elementos de cena são todos de uma delicadeza e qualidade estética que nos envolve sem possibilidade de volta. Também não vou falar da simplicidade e do primor do trabalho dos atores, no ponto, envolvidos, íntimos em seu conjunto. Posso também abrir mão de dizer que Sérgio e Shirley optam por uma direção limpa e delicada, simples e contundente, muito, muito arriscada, que só se completa por conta da intimidade que o elenco desenvolveu.

E já que (não) estou falando do elenco, me permitam os homens (ótimos atores) fazer um revelação: Soleinildo é mulher! Calma, calma, eu não estou falando aqui ingenuamente, como se ninguém soubesse, que Soleinildo é interpretado por uma atriz.

Eu estou dizendo que o espetáculo (e tudo o que ele representa) é delas. É elas! E os atores, brilhantemente parecem entender isso e em cena estão ali a serviço delas. Assim, Cristiano Martins e Isac Flores fazem um primoroso trabalho de delicadeza e de companheirismo. Irreparável. Aqui, delicados são os homens! E isso é lindo demais!

Shirley Ferreira é uma coisa! Uma diva! Eu já havia assistido ao espetáculo no Festival da Juventude na Praça Barão do Rio Branco em Conquista no ano passado com outra atriz, Iara Barbosa, também muito boa, mas que trazia uma leveza à personagem. Ria-se das mesmas cenas com Iara Barbosa, sem tanto pesar e dor quanto se ri das cenas supostamente cômicas com Shirley Ferreira. Em cena, essa atriz brilhante (eu não tenho nenhum pudor em dizer isso) transformada pela maquiagem e pelo figurino é o próprio peso da solidão e da experiência. Cada cena sua, cada gesto é de fazer chorar. Seu olhar afunda a gente e a peça nos trespassa sem chance de dizermos NÃO!.

Que mulher é essa que olha pra gente e a gente congela? Que abre a boa e a terra treme? Eu realmente não tenho códigos para decifrar Shirley Ferreira! Só sei sentí-la! E que monstrinho é esse que faz Soleinildo? Olhando desavisadamente, Kécia Prado parece pequena, frágil, um sorriso de menina. Mas a danada abre a boca e sai de baixo. Um vozeirão que nem Soleinildo teria, se falasse. E essa ambiguidade de menina e leão é fundamental para a construção daquele patriarca do circo, daquela figura altiva e frágil ao mesmo tempo, para quem a família de atores dedica todo seu carinho, toda sua preocupação e devoção. O solo do personagem com capote (aquela alma sem corpo), diante da imóvel plateia construída pelos amigos fiéis é de matar um do coração. Um simples número de palhaço, já conhecido até, se torna um momento de puro enlevo.

A descoberta da cruel realidade e a revelação da aparentemente ingênua brincadeira com o Cirque du Soleil também é rápida, mas dolorosa. O ator que volta para reconstituir o nome original da trupe, toca tão silenciosamente em nossa vaidade porque nos diz em alto e bom som: 'seremos, sim, o que somos, custe o que custar'.

Esse espetáculo lembra, e foi Hannah, parceira de análise, que se deu conta, o filme de animação O Mágico, de Sylvain Chomet, mesmo realizador de As Bicicletas de Beleville. Esta obra, como a peça da Operakata, trata lindamente, apesar da crueldade encerrada em ambas, da vida do artista, da crueldade do mercado e da nossa incapacidade de viver sem isso.

Para encerrar esse post imenso que eu não consigo terminar nunca, quero voltar-me à imagem da faca, por ser um número emblemático, muito engraçado, que reúne tensão, graça, revelação, mímese, enfim, todos os elementos que estão na obra como um todo. Mas não só por isso. Quero acessar a imagem da faca, do corte, da facada que levamos dia após dia, quer sejamos trabalhadores do palco ou do escritório. Quero falar das tantas farsas que produzimos na vida, de como forjamos números, de como fazemos cena. E essas tapeações que promovemos para os outros e na maioria das vezes para nós mesmos, ah, como elas são frágeis e num espirro se revelam.


Ricardo Fraga em personagem outrora interpretado por Shirley Ferreira

Esse público que nunca vem, não é só para os artistas. A decisão entre ceder às demandas de fora e responder aos impulsos internos, eu insisto, não é só de artistas. Quantos bancários, secretárias, professoras, balconistas, domésticas, médicos, motoristas, advogados, abriram mão de suas verdadeiras aspirações para se render a uma vida que lhe garantiram ser melhor do que aquela que eles sentiam pulsar lá dentro. Ai, que isso tá ficando cafona, mas eu só consigo ver por estes olhos, o espetáculo.

O grupo pode ter feito um espetáculo que fala de artistas, mas sem saber (o que eu duvido muito) falou de todos e de cada um de nós que senta naquela plateia, artista ou não, e se vê em Soleinildo ou em cada um daquela frágil mas indestrutível trupe.

E se disserem "Nossa, tanto de um espetáculo tão curto!" eu só posso responder:

Curta, é a vida, meu amigo! Curta é a vida!

Clique aqui para acessar o post original.


E teve também entrevista com o grupo:

https://youtu.be/fb0iOqJcf0E


O CIRCO DE SOLEINILDO TEXTO: Gilsérgio Botelho DIREÇÃO: Gilsérgio Botelho e Shirley Ferreira ELENCO: Kécia Prado, Cristiano Martins, Gilsérgio Botelho e Ricardo Fraga DESENHO DE LUZ: Raiza Lélis e Wandick Trindade CENOGRAFIA: Gilsérgio Botelho FIGURINO: Kécia Prado PRODUÇÃO: Kétia Prado Damasceno

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Por Lucas Oliveira e Rafael Urpia


Foto: @tr4evo

A noite do dia 31 de outubro marcou o fim da segunda temporada do Curta Cuarta. Em meio a risadas, músicas e uma performance-arte de tirar o fôlego, o público aproveitou um momento único e histórico para a CazAzul Teatro Escola. Ao adentrar o espaço interno da CazA, o público se deparou com uma exposição de desenhos produzidos pelo artista Álvaro Sousa - aluno da CazAzul e que participou do edital do evento.



Foto: @tr4evo

Com 23 anos, Álvaro é desenhista e decidiu presentear a Escola, homenageando todos os seus integrantes com desenhos. Ele conta que já estava a tempos querendo expor algo e por saber do estímulo da CazAzul em escoar produções locais, decidiu por dar de presente 18 desenhos com aqueles que colaboram pelo funcionamento do espaço. Álvaro conta que “o feedback está sendo muito legal, principalmente do pessoal daqui, que desde o momento que viram, já se reconheceram e o pessoal que veio olhar. Disseram que ‘tá’ bem parecido e mesmo sem olhar, sabiam quem era”.


Foto: @tr4evo

A programação da noite começou com um pocket-show de MPB independente, apresentado por Anderson Rosa e Larice Ribeiro. As músicas tocadas transitaram pelo cenário da música popular brasileira, tocando desde “A palo seco” de Belchior até canções mais contemporâneas como “Zero” da artista Liniker. Os Cantores fizeram o público curtir um show leve e despretensioso, próprio para a noite de encerramento do evento.


Ao final da primeira atração, fomos convidados a assistir o curta “Se você sorrir”. Com direção de Daniel Biurrum e Cristiano Martins o filme é uma homenagem à era muda do cinema. Trazendo referências de Charlie Chaplin o curta conta uma história de amor divertida que contribui para o clima leve e descontraído, como já se encontrava o ambiente. É então que começa a performance “Liberdade. Para que a tenho?”, e o clima do ambiente se transforma.


Foto: @tr4evo


Escrita e Dirigida Por Vicente Di Paulo a performance, que foi readaptada especialmente para a apresentação na CazA, trazia uma forte crítica ao atual cenário político brasileiro. Para Vicente, seu trabalho é visual. Não é uma história com início, meio e fim, “eu o ofereço para o público para que ele possa sentir e viajar no que possa ser posto, de imagem, de corpo, de som. Eu ofereço a minha arte. Eu enquanto artista estou vendo a arte ser sufocada então irei dar o meu grito antes que a sufoquem.”.


E para fechar a noite com chave de ouro, Felipe Sampaio - convidado da noite - trouxe a banda Ciclanos de Tais, para animar e instigar o público a ficarem com o gostinho de “quero mais” ao Curta Cuarta. A banda começou ao som “Super-Homem”, a canção de Gilberto Gil e animaram o final da noite. Com um estilo próprio, Ciclanos de Tais reinterpretam as músicas trazendo suas influências dos anos 80.


Foto: @tr4evo

A noite caminhava para o fim e, com ela, encerrava-se a segunda temporada do Curta Cuarta. Diante do atual contexto político complexo em que o país se encontra, propostas como a da CazAzul, de Arte contra a Barbárie se tornam imprescindíveis. É com saudade das noites de Curta Cuarta que o público aguardará a terceira temporada.


*Texto: Lucas Oliveira e Rafael Urpia (Estudantes do curso de Jornalismo, da UESB) ** Fotos: Fábio Spínola - @tr4evo



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