DESTAQUES

CURTA CUARTA EM CASA

 

13 Maio

Rodrigo Dourado

CURTA CUARTA EM CASA #3: TEATRO À DISTÂNCIA: O PARADOXO NECESSÁRIO✨
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O isolamento social que estamos enfrentando e a recente desintegração do espaço físico da CazAzul mostraram a urgente necessidade de construirmos novas formas de fazer teatro, tanto do ponto de vista da PRODUÇÃO quanto da FORMAÇÃO nesta arte da cena. Para refletir sobre o ensino de teatro nas atuais circunstâncias, Adriana Amorim convida o  Professor da Universidade Federal de Pernambuco, ator, diretor e dramaturgo RODRIGO DOURADO. 🤩
👉🏽Lembrando que estaremos em um novo horário: às 17h desta quarta-feira, 13 de maio.

BLOG DA CAZAZUL

 

Por Jade Dias e Rafael Urpia


Às seis e meia da noite a Cazazul cheirava a shampoo e chá de capim santo. Os organizadores do projeto saíam de seus banhos, conversavam e riam. Aos poucos, cada um vestia a camisa, no sentido literal e figurado da palavra. Iniciava ali a terceira noite do projeto Curta Cuarta.


O público que chegava procurava um lugarzinho no quintal/jardim. Giovana Campos, estudante de psicologia, acompanhada de duas amigas curtia o espaço “intimista e aconchegante”. Ela ficou sabendo do projeto pelo Instagram e veio até a Caza guiada pela expectativa de se distrair um pouco da pressão que tem chegado de todo o lugar. “Espero sair com uma experiência nova e uma reflexão na cabeça. Algo que eu chegue em casa e fique ‘meu deus, é isso’.”


Foto: Thiago Araújo

No camarim Iamã, os atores do grupo Apodio, Manuela Pedra e Lázaro Oliveira, começavam a se aprontar e se alongavam enquanto repassavam o texto de Marcelino Freire, “Da paz”. A dupla afirma que se apropriou da obra, já apresentada por eles algumas vezes, por ser capaz de despertar o público para a realidade insustentável da paz (ou do discurso sobre). A apresentação foi curta e marcante. O relato de uma mãe que teve seu filho assassinado e que se vê coagida pela mídia a defender a paz que ela não vive, a paz que não cabe na rotina da periferia, ecoou no silêncio aterrador da plateia que assistia. Para Pretinha (apelido que se tornou quase um nome social), a cena foi “impactante por ter esse discurso racial, esse apelo, achei muito forte”.


Foto: Thiago Araújo

Após os característicos “15 minutinhos de intervalo”, anunciados pelo mestre de cerimônia Mateus Costa, o público foi direcionado até a sala Awêry, onde uns se sentaram em almofadas e outros em cadeiras para assistir ao curta-metragem “Das Raízes às Pontas”, dirigido por Flora Egécia. O curta, nas palavras de João Pedro Santana, estudante de letras e autodeclarado “um bode velho da Cazazul”, “fala sobre a ancestralidade do cabelo negro e do empoderamento que ele carrega”. João também destaca a importância da exibição desse tipo de produção. “Eu fiquei muito feliz quando vi uma criança muito pequenininha, negra, saindo de lá (da sala) com seu cabelo maravilhoso. Saber que tem uma criança que teve a oportunidade de assistir aquilo, achei lindo!”



Finalizando a noite, Euri Meira, acompanhado de Ítalo Silva, Gerson Broggini, David Prates e Doulgas Marchant, estreou um novo projeto de Jazz manouche, um estilo de Jazz cigano francês. Ele trouxe, além de músicas autorais, alguns clássicos da MPB, num formato de baixo acústico, guitarra e violino. A inspiração de Euri veio do cantor e guitarrista Django Reinhardt, “um cigano que tinha apenas dois dedos na mão”. Django queimou suas mãos ajudando a família, que produzia guirlanda de flores vendidas em feiras, prática comum ao povo cigano. “Foi uma história de superação que me deixou mais sensível, mudou a minha forma de tocar.”


Servidos de bebidas e comidas artesanais e caseiras, o público se aconchegou, também, no quintal em frente ao palco para ouvir Euri tocar. Os mais animados improvisaram passos extravagantes que lembravam a cultura cigana e os clubes de Jazz da década de 40. Noêmia Fernanda, que se balançava timidamente ao som do manouche, se mostrou encantada com a experiência. “É massa porque eu particularmente gosto de violino, apesar de não saber tocar. E é bom que traz outros instrumentos diferentes que a gente não tem muito contato.”



Noêmia não é exceção ao demonstrar seu apreço pelo Curta Cuarta “eu já vim aqui algumas vezes e não só as várias formas de arte, filmes, apresentação musical, teatro, como a interação da galera com o público é massa”. João Pedro concorda, “eu tô achando incrível! Eu tenho muito amor pela Caza, pela produção, pelos professores, até pelo físico! Eu sou muito apegado a isso aqui.”


O impacto do Curta Cuarta ultrapassou o carinho do público e atinge barreiras sociais. Para João “é um evento de aproximação e conexão das várias partes da cidade e região. É um evento que culturalmente e politicamente tem um impacto muito forte numa cidade que não é tão ativa artisticamente, mas tem voltado à valorizar a tradição do teatro e de outras manifestações artísticas.”


No fim da noite, aos poucos, inebriados pela arte e boa comida, os espectadores retornam às suas casas carregando mais experiências, e mais despertos do que chegaram. Giovana Campos conclui, “a gente se distancia quando outras coisas são consideradas mais importantes, é só aquilo ‘tem que focar na faculdade, essa é a sua vida, pronto’ mas é importante nos aproximarmos de outras formas de expressão que a gente vai perdendo ao longo da vida.”



Foto: Thiago Araújo

*Texto: Jade Dias e Rafael Urpia

(Estudantes do curso de Jornalismo, da UESB)

** Fotos: Thiago Araújo




Por Lucas Oliveira e Raffaela Pacífico*


Foto: Lari carinhanha

A segunda temporada do Curta Cuarta teve sua segunda noite de evento no dia 26 e foi, como de costume, recheado de Teatro, Cinema, Música e muita Dança. Durante a noite, houve a leitura dramatizada do livro Birigui de Maurício Meireles, apresentado por Adriana Amorim, Joanne Vale e Yarle Ramalho, com adaptação e direção de Hannah Abnner. Foi exibido o documentário J. C. D’Almeida - Uma Foto-Síntese, do professor Rogério Luiz Oliveira, que mostra a história do fotógrafo conquistense J. C. D’Almeida e sua entrega à arte de fotografar. E fechou a noite com um pocket show de forró com Renato Schettini, David Prates, Davi Scandurra e David Spínola.


Muitas pessoas estavam ansiosas para aproveitar as apresentações da noite. Algumas vieram para conhecer a CazAzul, como a atriz Joseane de Almeida, 34 anos, que ficou sabendo do espaço através de amigos - “eu vim para conhecer o espaço e confesso que estou muito curiosa para o que vem por aí”, disse. Outras pessoas já conheciam o evento e gostaram tanto que voltaram, como Noemia Fernandes, 31 anos, que foi pela segunda vez: “eu vim na temporada passada, achei massa, pois, tem vários tipos de atrações, como teatro e música. E como é curto dá para aproveitar várias coisas diferentes”.


Foto: Lari Carinhanha

A leitura dramatizada do livro Birigui de Maurício Meireles, abriu as apresentações da noite com muita conexão e talento. O livro fala sobre uma criança chamada Birigui, que não queria caçar animais com seu pai, pois achava isso errado. Ele fica tão ansioso antes da caça que sonha com uma onça querendo devorá-lo e sua revolta com a caça aumenta. Ao decorrer da história, é nítida a visão de Birigui sobre a caça e como ele não gosta dessa atividade do pai. A leitura é cheia de contrapontos e reviravoltas instigantes, que prendem a platéia do início ao término da apresentação. A adaptação do livro Birigui já foi apresentada na FLIGÊ (Feira Literária de Mucugê) em 2018, mas é a primeira vez que é apresentada no Curta Cuarta.


Foto: Lari Carinhanha

A leitura dramatizada faz parte da linguagem teatral, não tem encenação completa de movimentos. “Fazemos a leitura literalmente, é tanto que todas as pessoas que representam os personagens estão com o texto em mãos, a gente faz a leitura com alguns aspectos do teatro, nessa apresentação a gente vai utilizar instrumentos musicais e sons corporais, como o farejar dos cães, por exemplo. É diferente de uma leitura branca que não há movimento algum” diz Yarle Ramalho, um dos artistas da dramatização.


O documentário de Rogério Luiz Oliveira conta a história de J. C. D’Almeida, um conquistense que ama a arte e vê a fotografia como uma oportunidade de voar e se libertar pelo mundo. Foi gravado no Brasil e na França, onde D’Almeida passou uma temporada, tem duração de 25 minutos e é exibido do início ao fim em preto e branco. O documentário mostra alguns registros do fotógrafo e propicia uma mistura de sentimentos, é possível rir com suas histórias, encantar-se com seu talento e técnica e apreciar a visão inspiradora que o fotógrafo tem da vida.

Foto: Lari Carinhanha

E para finalizar a noite, o palco foi coberto por forró e muito arrasta pé ao comando de Renato Schettini. Ele canta profissionalmente há cinco anos, por ser apaixonado pela cultura popular nordestina, desenvolveu um projeto que busca levar o MPB (Música Popular Brasileira) para os embalos do forró. No seu pocket-show, que contou com as participações de David Prates (na percussão), Davi Scandurra (na guitarra) e David Spínola (no triângulo), foram apresentadas músicas de nomes consagrados da música popular brasileira, como Lenine, até artistas mais contemporâneos, como Rubel.


Foto: Lari Carinhanha

*Texto: Lucas Oliveira e Raffaela Pacífico

(Estudantes do curso de Jornalismo da UESB.)

** Fotos: Lari Carinhanha



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