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BLOG DA CAZAZUL

 

Além dos Cursos Livres de Teatro oferecidos semestralmente, a CazAzul oferece a cada período de recesso as “Oficinas de Férias”, sempre buscando variar nas linguagens artísticas. Nesses 3 anos de CazAzul, foram ministradas oficinas de música (percussão e canto), dança (afro e contemporânea) palhaçaria e diferentes práticas teatrais: iniciação teatral, teatro para adolescentes, teatro essencial e jogos de improvisação. O que estas oficinas têm em comum é o fato de acontecerem num curto espaço de tempo, atendendo a um público que não pode frequentar os cursos semestrais ou que não deseja se comprometer por tanto tempo às atividades do curso regular. Também faz parte de todas as atividades formativas da CazAzul, incluindo as oficinas de férias, a exibição de algum produto resultante da oficina, seja uma cena ou uma aula pública, num evento de culminância chamado de aula-show que se configura como um grande encontro aberto ao público.


No verão de 2020 vamos seguir investigando, agora com algumas novidades ainda mais ousadas. Duas oficinas serão adaptações de práticas com as quais já temos operado ao longo desses três anos de experiência e duas serão completamente inéditas. Conheça a nossas oficinas:


DE FÉRIAS COM RAUL E LIRA: Brincando como antigamente!


Além da novidade de ter como professor e professora parte do elenco do nosso principal espetáculo infantil, a oficina para crianças desse ano vem com novidades incríveis. Raul e Lira, além de realizar atividades teatrais com as crianças, vão conduzir jogos baseados em brincadeiras antigas, como na época da vovó. São jogos que envolvem diferentes habilidades criativas, coordenação motora, expressão corporal, interação com outras crianças, musicalização, criação e contação de histórias, "culinária miudinha", entre outras atividades surpreendentes. Ao final da oficina nos despediremos com um bailinho de carnaval, onde todas e todos estaremos fantasiados para celebrar a infância com muita alegria e arte.

Período: 14 a 24/jan - Terça a sexta

Horário: 14h a 17h

Carga horária: 24 horas (pacote 1); 12 horas (pacote 2).

Bailinho de carnaval: 24 de Janeiro, 16h




1,2,3,TROCA! Jogos de improvisação


Mais uma vez o Núcleo de Montagem da CazAzul oferece aquela que é a mais bem sucedida de todas as suas oficinas. Em sua quarta edição, a Oficina de Improvisação e Jogos Teatrais vai receber aquela galera que espera pelo momento do ano reservado para conhecer novas pessoas, se divertir com os jogos e descobrir seus novos talentos com muitos exercícios de cena. Ao final da oficina tem aquele match de improvisação aberto ao público conduzido pelo elenco do espetáculo interativo “De Repente, Jogo”, ocasião na qual todo mundo se diverte muito.


Período: 14 a 29/jan - Terça e quinta

Horário: 19h a 21h

Carga horária: 12 horas

Aula-show: dia 29, quarta, 19h.




DESENVOLTURA PARA VÍDEO: Técnicas teatrais para interação em mídias sociais


O Núcleo de Montagem e o Núcleo de Audiovisual da CazAzul se uniram para montar um programa incrível que vai apresentar estratégias do teatro indispensáveis para a performance diante da câmera. E não são apenas técnicas de interpretação. São dicas de roteirização, direção de arte, iluminação, enquadramento e outros elementos da prática cênica que, sem dúvida, contribuem para melhorar suas postagens em vídeo. Também teremos outra grande novidade: a oficina será iniciada com uma aula inaugural (master class) aberta ao público. No comando da aula, a Influenciadora Digital Ellen Lapa (@lapaellen) falará sobre os desafios dessa novíssima profissão, abordando a relação com o teatro e o audiovisual e discutindo também sobre a importância de novas iniciativas de formação na área, trazendo sua própria experiência como digital influencer e estudante de teatro na CazAzul. Além de discutir questões conceituais e metodológicas, a oficina terá muitas atividades práticas para que a/o participante se experimente em novas possibilidades performáticas diante do público real (colegas de oficina) e da câmera. Ao final da oficina, a turma fará a cobertura ao vivo do evento de culminância das oficinas de férias.


Período: 17 a 29/jan - segunda, quarta e sexta

Horário: 19h a 21h

Carga horária: 12 horas

Cobertura ao vivo da Aula-show: dia 29, quarta, 19h.



CENAS DA VIDA: Arte para a terceira idade


Oferecer aulas de teatro para idosas e idosos sempre foi um desejo da CazAzul. Por se tratar de um público bastante específico que exige formação e experiência na condução das atividades, não tínhamos conseguido (até aqui) fazer uma programação que atendesse a essa demanda. A saída foi convidarmos uma profissional que há muitos anos vem trabalhando teatro, dança, música e cuidado integral com a terceira idade. Graduada em Educação Física pela UESB (Campus Jequié) e com curso de Massoterapia, Mônica Alves é idealizadora do projeto “Cândido Flores”, que presta atendimento personalizado a pessoas com necessidades específicas. Também é atriz profissional e professora de teatro, além de produzir bailes da Terceira Idade em Jequié e região com muito sucesso. Com toda essa experiência e especial afeto por esse público, Mônica Alves montou essa oficina especialmente para as férias na CazAzul. Sem sombra de dúvidas, será um momento de muita beleza e aprendizado para todos os envolvidos.


Período: 20 a 29 - segunda, quarta e sexta

Horário: 15h a 17h

Carga horária: 10 horas

Aula-show: dia 29, quarta, 19h.

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SERVIÇO:

Cursos de Férias 2020 - CazAzul

Contato: (77) 98874-9616

Realização: CazAzul Teatro Escola.

Datas: A partir de 14 jan de 2020.

Local: Av Rosa Cruz, 855 - Candeias

Mais infos: Instagram - @cazazul | Facebook – CazAzul Teatro Escola. | Telefone e whatsapp: 77 98874 9616.

Há uma semana a CazAzul estava encerrando seu semestre letivo, com a 6ª edição da Mostra Culte - Mostra Cênica dos Cursos Livres de Teatro, que representa uma etapa imprescindível da formação em teatro: a experimentação dos desafios e prazeres do palco.


Desde a primeira Mostra, realizada em 2017, a CazAzul convida, para atuarem como críticos e críticas, profissionais que de alguma maneira lidam com cultura e arte em Vitória da Conquista, e que sejam entusiastas do teatro realizado aqui. E desde a primeira edição, a presença destes críticos convidados tem se mostrado extremamente relevante para nosso aprimoramento ético, estético e pedagógico, ao lançarem sobre as apresentações um olhar qualificado e atento, sempre com o objetivo construtivo de fazer nossas práticas cada vez melhores e mais relevantes social e artisticamente.


Na 6ª Mostra Culte, atuaram como críticos convidados a psicóloga e professora Dra. Carmen Virgínia, voltando sua atenção para a importância da prática artística na formação emocional das crianças e adolescentes, e Afonso Ribas, jovem e competente jornalista, militante das causas sociais e culturais, que avaliou o evento em aspectos técnicos, artísticos e de produção.


A CazAzul agradece pela generosidade de terem aceitado o convite, assistido aos espetáculos e produzido os textos que seguem abaixo publicados, cuja escrita acaba por interessar não apenas aos que subiram ao palco ou trabalharam nos bastidores, mas a todas e todos que apreciam o teatro, a arte e uma boa leitura! =)


Texto crítico 1 - Por: Carmen Virgínia


Na primeira noite da Mostra Culte tivemos os espetáculos Rua das Rosas, Antigas Cantigas: A Hora é Agora; e O Quiprocó. Contamos, também, com o espetáculo convidado O Conto do Boi.


O texto de apresentação da mostra, dedicado à Ariel da Mata – integrante da CazAzul Teatro Escola, foi carregado de emoção e sentimento. Foram estes os elementos disparadores para produzir o presente texto, em diálogo com as ideias de Vigotski (1965) em sua obra pouco explorada: Psicologia da Arte.

Turma infantil 2 com o espetáculo "Rua das Rosas". Fotografia: Álvaro Souza

O espetáculo inaugural da noite, Rua das Rosas (Texto de Claudia Scatamacchia e Fernando Lôbo; Adaptação e Direção de Yarle Ramalho), foi encenado por um grupo de sete crianças, sendo seis meninas e um menino, além de duas adultas. O espetáculo realça aspectos culturais através de cantigas de rodas tradicionais e explora a atuação do conjunto de crianças e do protagonismo de cada atriz e ator infantil. São crianças em novas compondo a Turma Infantil II com uma apresentação abundante em graciosidade, movimento e leveza que tiveram apoio no cenário e no figurino (neste caso, menos valeu muito mais).


Os textos lidos nos intervalos, além de situar o expectador quanto aos espetáculos da noite, sensibilizam a plateia para a compreensão da arte como mediadora da nossa existência e como componente afetivo do nosso fazer humano.


Turma infantil 1 no espetáculo "Antigas cantigas: a hora é agora". Fotografia: Lari Carinhanha

A noite avança e temos a Turma do Infantil I com o espetáculo Antigas Cantigas: A Hora é Agora (Texto de Adriana Amorim; Direção de Joanne Vale). Esse grupo, com crianças mais velhas – veteranas e iniciantes, sublinha a presença feminina no palco desta noite: sete meninas(!) e um menino. Desta vez as músicas de autoria conhecida dão o tom do espetáculo, explorando coreografias e uso de instrumentos. Diz Vigotski (1965) que nunca sabemos o por que de gostarmos ou não de uma obra de arte; neste espetáculo é essa a sensação, um gostar leve, colorido, com muito movimento e graça.


A atuação das crianças na noite evidencia a transformação dos seres humanos em criadores através do caráter subjetivo em cada fala. A direção dos espetáculos explora bem essa transformação, quando valoriza o tom que cada criança dá ao seu personagem.

Turma juvenil/adulto com o espetáculo "O Quiprocó". Fotografia: Lari Carinhanha.

Para encerrar a noite, "O Quiprocó" (Texto: Adriana Amorim; Direção: Priscila

Amaral) apresenta um texto que brinca em tom cômico com os elementos ficção e realidade, personagem e plateia, magia e ciência. A brincadeira do texto encontra solo fértil na atuação do grupo de atrizes e atores adultos que demonstra um bom entrosamento.


A Marcação fez a diferença e o divertimento foi garantido para todas as faixas etárias presentes no Centro de Cultura. Finalizo tomando de Vigotski (1965) o conceito de perezhivanie que ressalta as emoções como intrínsecas aos processos criativos. Foi assim a primeira noite da 6ª Mostra Culte: textos, direção e atuação leves e criativos, com o (des)equilíbrio entre estes ingredientes que faz da arte um processo para ser vivido mais do que entendido. Para ser melhor, só se começasse com a pontualidade que a arte merece.


** Carmen Virgínia - Professora Adjunta - UESB - Núcleo de Pesquisas e Estudos em Psicologia da UESB - NUPEP-UESBPrograma de Práticas Psicológicas - PROPPSI.

Texto crítico 2 - Por: Afonso Ribas


As luzes do palco do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima se acenderam na noite da última quinta-feira, 12, para mostrar ao público de Vitória da Conquista toda a potência artística das turmas infanto-juvenil e adulta dos Cursos Livres de Teatro da Cazazul. O resultado de um semestre de dedicação ao fazer teatral ganhou vida no segundo dia da 6ª Mostra Culte, que contou ainda com o espetáculo convidado “O duelo de Santa Maria”, do grupo CETA Capoeira.


Houve cuidado da Produção com os mínimos detalhes do evento, cuidado esse que, por conseguinte, não se restringiu ao espaço cênico, onde os atores dão vida aos seus respectivos personagens. Foi dada atenção também à forma com que o público foi recepcionado, ao belo roteiro escrito para ser lido pela mestre de cerimônia Rebeca Reis e até aos vídeos institucionais exibidos na Mostra. Como espectador, me senti gentilmente acolhido pela Cazazul antes, durante e após as apresentações teatrais.


Essa áurea de acolhimento é necessária para que possamos criar intimidade com a arte que nos dispomos a apreciar. Além disso, nos deixa mais abertos e sensíveis a tudo que ela é capaz de provocar: seja um caloroso sorriso, seja um choro descontrolado. E a emoção tomou conta da plateia antes mesmo de os atores se dirigirem ao palco, quando a força e a coragem de Ariel da Mata, homenageada do evento, preencheram todo o ambiente pelo segundo dia consecutivo.


Homenagem à Ariel da Mata. Fotografia: Érica Daniela.

Por Ariel, que se apresentaria naquela noite, a Cazazul intensificou todo o trabalho que culminou na Mostra Culte, disse Rebeca. Em cena, os atores formados pela escola demonstraram isso ao entregarem para o público espetáculos envolventes e de boa qualidade técnica. Merecem destaque, de forma geral, o excelente domínio dos textos encenados e a consciência do tempo e do espaço ocupados por cada personagem, aspectos essenciais para garantir uma peça coerente e verossímil.


Acredito que a atenção dos atores ao tempo de reação do público a alguns momentos de cada apresentação deva ser mais bem trabalhada. Por vezes, personagens iniciavam um diálogo que não se ouvia, pois a plateia ainda ria de uma cena anterior a ele. Isso foi mais perceptível no primeiro espetáculo da noite: Pluft, o fantasminha, apresentado pela turma infanto-juvenil da Cazazul, sob direção de Vicente di Paulo.

Turma juvenil com o espetáculo "Pluft, o fantasminha". Fotografia: Érica Daniela.

O predomínio da cor azul sobre o amarelo na iluminação da peça, em contraste com um plano de fundo obscuro, deu um tom perfeitamente fantasmagórico ao cenário no qual esse clássico da literatura infantil foi adaptado. O figurino, por sua vez, contribuiu para fazer o espectador se sentir de vez diante do mundo fantástico onde o divertidíssimo fantasminha Pluft e a pequena Maribel vivem as suas aventuras.

Impressionou-me a excelente interpretação da atriz mirim Amelie Santos Caribé, que protagonizou a peça, demonstrando segurança e grande preparo profissional enquanto aluna veterana da Cazazul. Vale destacar que sua ótima atuação, no entanto, não ofuscou o talento e o desempenho de seus companheiros de cena.


É comum que se perceba em um espetáculo uma maior maturidade de quem já faz teatro há mais tempo em comparação a quem acaba de ingressar nas artes cênicas. Esse contraste entre veteranos e estreantes, porém, não foi tão evidente na peça “O que você foi quando era criança”, encenada pela turma adulta, também sob direção de Vicente di Paulo.


Turma adulta com o espetáculo "O que você foi quando era criança". Fotografia: Érica Daniela.

A grande façanha dessa turma foi conseguir retratar com muita fidelidade, no palco do Centro de Cultura, o clima familiar e, ao mesmo tempo, decadente e mórbido que caracteriza o espaço onde se encontram as personagens da história construída por Lourenço Mutarelli. Esse feito, é claro, contou com a ajuda de um cenário detalhadamente bem planejado, de uma maquiagem que combinou com o sarcasmo, frieza e apatia das personagens e com uma iluminação simples, mas coerente com a proposta da peça.


O seu lento desenrolar, marcado ora por suspiros ora pelo silêncio das personagens, não a tornou entediante graças ao bom desempenho dos atores e, sobretudo, às boas sacadas humorísticas que garantiram um ar cômico à trágica história que encerrou bem a última noite da 6ª Mostra Culte.


O espetáculo convidado do segundo dia do evento, por sua vez, demonstrou a riqueza da cultura afrodescendente e celebrou a liberdade e a resistência do povo negro.

Espetáculo convidado "O duelo de Santa Maria". Fotografia: Érica Daniela.

Dirigido brilhantemente por Yarle Ramalho, “O duelo de Santa Maria” foi um belo exemplo de como a harmonia entre os diferentes elementos que compõem um espetáculo teatral podem torná-lo, verdadeiramente, hipnotizante e arrebatador. O ritmo, a energia e a presença mantida pelos atores do começo ao fim da peça mostraram, acima de tudo, o que há de mais genuíno na arte: o seu caráter formativo e transformador. Por isso, é preciso valorizá-la e fomentá-la. Em mais uma edição, a Mostra Culte deixa claro que a Cazazul cumpre bem esse papel.


** Afonso Ribas - Jornalista.

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