DESTAQUES

CURTA CUARTA EM CASA

 

13 Maio

Rodrigo Dourado

CURTA CUARTA EM CASA #3: TEATRO À DISTÂNCIA: O PARADOXO NECESSÁRIO✨
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O isolamento social que estamos enfrentando e a recente desintegração do espaço físico da CazAzul mostraram a urgente necessidade de construirmos novas formas de fazer teatro, tanto do ponto de vista da PRODUÇÃO quanto da FORMAÇÃO nesta arte da cena. Para refletir sobre o ensino de teatro nas atuais circunstâncias, Adriana Amorim convida o  Professor da Universidade Federal de Pernambuco, ator, diretor e dramaturgo RODRIGO DOURADO. 🤩
👉🏽Lembrando que estaremos em um novo horário: às 17h desta quarta-feira, 13 de maio.

BLOG DA CAZAZUL

 

Por Adriana Amorim*




Ao subir as escadas rolantes daquele cinza e gélido Shopping Boulevard, rumo ao Centerplex, senti que havia algo diferente na atmosfera local. Era um povo colorido, risonho, barulhento até, que ia chegando primeiro de forma tímida e depois com crescente empoderamento. “A administração do Shopping vai concluir que é só colocar filme brasileiro alternativo em cartaz que o shopping é invadido por gente pobre, preta e sexualmente diversa. Por essa gente estranha. Esses artistas.”, pensei. Pouco a pouco, aquela gente que consome e produz arte, que geralmente se encontra nos espaços alternativos da cidade, foi se agrupando ali naquele paraíso do metal e do vidro, quase formando uma tribo.



No meio daquela miríade de figuras inusitadas, distintas do público habitual do shopping, destacava-se um grupo específico. Altamente interessados na pré-estreia nacional de um filme internacionalmente premiado, produzido por uma equipe nordestina, estavam os estudantes do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a UESB. E não era pra menos. Tanto ânimo se justificava facilmente. Há anos sendo oprimidos pelo fato de a cidade em que moram (e estudam cinema) somar uma dezena de salas de projeção que, no entanto, exibem sempre um único e inalterável estilo de filme (o filme comercial) - chegando ao absurdo de termos os mesmos títulos exibidos nos dois shoppings ao mesmo tempo -, este grupo de estudantes parecia estar vivendo um sonho. Em poucos minutos, iriam assistir a uma produção brasileira, “alternativa”, numa grande sala de projeção e não em suas tevês ou smartphones, via torrent ou download, como tem sido ao longo dos anos. Iam viver os dois prazeres que o cinema pode (e deve) proporcionar: o deleite da apreciação da obra e a experiência coletiva de ver um filme no espaço físico do cinema, esse lugar social por natureza, com direito a escurinho, tela imensa e a saborosa (mas barulhenta) pipoca. Risos, sustos e dores vividas coletivamente.


E que lindo encontro foi esse. Professores e professoras, calouras e calouros, veteranas e egressos pareciam ter se encontrado numa aula da saudade às avessas, posto que o encontro mirava para um futuro desejado e não para um saudoso passado.

Riam ao se encontrar, abraçavam-se (como só gente de arte sabe abraçar), faziam piada com o fato de se ver ali, juntos, mais alunos de cinema do que nos corredores da UESB. Os mais novos pareciam evidentemente encantados com a certeza de que estavam no lugar certo, de que escolheram o curso certo, de que enfim encontravam uma comunidade com a qual se identificavam, pondo fim à solidão de ser um estranho no ambiente familiar. Os mais velhos pareciam expressar a satisfação de não terem desistido e de seguirem lutando, agora com a experiência de ver, dali a pouco projetada na imensa tela branca, o sucesso de um igual. “Identificação” e “Idealização” aristotélicas sendo vividas naquele evento. O sucesso daqueles produtores nordestinos era o sucesso de todos nós. Era como uma promessa de que vale a pena seguir lutando, mesmo diante de tantos desatinos e constantes ataques à nossa simples existência. E olha que ainda nem conhecíamos o filme em toda sua plenitude.


Lá dentro, apagadas as luzes, encerradas as propagandas, deu-se o encontro com a magia do cinema.


Todas as expectativas foram altamente alcançadas. (As minhas, superadas!). Uma obra de arte completa, preciosa e precisa. Um trabalho maduro de uma equipe que segue produzindo, estudando, criando ininterruptamente: um roteiro primoroso, irretocável; a utilização cirúrgica dos elementos fílmicos; a consciência do trabalho do elenco; a tomada de uma posição político-ideológica; e, sobretudo, a coragem de assumir aquilo que há de mais puro na experiência artística: o risco. Tudo isso fez daquelas mais de duas horas de projeção uma experiência inesquecível, transformadora, catártica. Aula melhor que essa, estou por ver.



Quem me lê sabe que sou patética (do Pathos grego, não necessariamente do Pateta da Disney) em relação às minhas experiências estéticas. Falo delas como se falasse de uma experiência transcendental, porque assim as vejo, assim as vivo. Sou atravessada por elas porque delas sou feita e a elas me entrego. Antes, durante e depois. Inteiramente.


Queria falar mais do filme (que filme, minha gente, que filme!), mas acho que falar de estudantes de cinema nordestinos que se encontram num cinema de shopping para assistir a uma produção nordestina como eles, sobre a resistência desse povo que são eles próprios (porque artistas, porque pretos, viados, nordestinos) é também falar desse Bacurau incrível que empreendeu um vôo rasante sobre nossas cabeças, nos organizou enquanto coletivo, nos assustou, nos revelou e nos reuniu numa consciência coletiva que reconhece o quanto é preciso resistir. É a resistência, e apenas ela, que nos garantirá alguma chance de seguirmos existindo. Aqui, agora, hoje.

Naquela sala de cinema, naquele inóspito shopping center, há de se ter começado uma pequena revolução em terras de Glauber Rocha. Que as carteiras da universidade saibam potencializar a força do que foi vivido naquela pré-estréia, numa cidadezinha do interior de um estado qualquer desse surpreendente universo chamado Nordeste. Que nossa história nos fortaleça! Que Bacurau nos inspire!



*Adriana Amorim é doutora em Teatro e professora do curso de Cinema e Audiovisual da UESB. É idealizadora da CazAzul Teatro Escola.


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🎭Há uma semana, a CazAzul teve a alegria e a honra de participar da Fligê 2019, na direção artística da Fligêzinha, espaço destinado às crianças. Este trabalho nos proporcionou trocas artísticas e encontros lindos com escritoras, contadores e contadoras de histórias, musicistas, atores e atrizes, tanto de Mucugê quanto convidados de outras cidades.



🎈Com a mais nova montagem do livro infantil "Cecéu, o poeta do céu" escrito por Adelice Souza e adaptado por Adriana Amorim, os atores do NUMCA (Núcleo de Montagem da CazAzuL) trouxeram um pouco da vida e da obra de Castro Alves para os palcos da Fligêzinha. A poesia e diversão ficaram por conta de Yarle Ramalho, interpretando Irineu e Cecéu, Hannah Abnner, interpretando Maria e Eugenia e Joanne Vale, interpretando a Professora, com um delicioso bate papo ao final da apresentação.

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A alegria e os sorrisos foram alinhavados pelo Mestre de Cerimônias Vicente di Paulo, que não só esteve junto dos artistas que ali se apresentavam, mas também de toda a criançada, fazendo o cuidadoso trabalho de mediação, importantíssimo para o processo pedagógico.

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🎉A CazAzuL também marcou sua presença com um trio bastante animado e brincalhão fazendo a festa no "Brincando com as Palavras". Abobrinha, Beringela e Pimentinha animaram a criançada com diversos jogos e histórias durante esses 3 dias de Fligêzinha, com a participação mais que especial de Flávia Pacheco, contadora de histórias vinda direto de Rio de Contas. Só alegria.

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📷Os registros fotográficos ficaram nas mãos e através dos olhos da nossa fotógrafa querida, Rebeca Reis.

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🌻Depois de tantas trocas, diversões, histórias, momentos e encontros lindíssimos, resta a nós da CazAzuL Teatro Escola agradecermos profundamente pelo convite e pela oportunidade de estarmos juntos desse maravilhoso projeto cultural que é a Fligê.


A trupe da CazAzul - Foto: Rebeca Reis

Abaixo, trechos da entrevista concedida por Hendye Gracielle, diretora da CazAzul, que evidencia a importância do trabalho desenvolvido pela CazAzul na Fligezinha:


FLIGE - PERGUNTA:

Eu quero saber como a Fligêzinha, espaço dirigido pela Cazazul, comunga com os princípios de democracia e diversidade, essenciais para a Fligê.


CAZAZUL - RESPOSTA:

As experiências artísticas, e podemos falar sobretudo das teatrais e literárias, são por si só revolucionárias no sentido social e também pessoal. A CazAzul tem como princípio norteador este desejo de democratizar o acesso a estas experiências, tanto de fruição como de produção artística. E este princípio coaduna totalmente com o espírito da Fligê, de modo que é aplicado integralmente nas ações da Fligezinha.


A Fligezinha, sobretudo nos últimos dois anos, oferece para as crianças: ações de fruição (espetáculos, leituras dramáticas), reflexão (bate-papos com escritores e artistas) e participação criativa (jogos teatrais e recreação criativa). Na fligezinha, literatura e teatro garantem os princípios democráticos defendidos por ambas as instituições - Fligê e CazAzul.

A Fligezinha se configura, portanto, como este espaço pensado e realizado com e para as crianças, onde elas têm contato com as obras literárias e artísticas assumindo um papel ativo nas interações. Podemos dizer que é um lugar de criação conjunta, inclusive no aspecto do encontro entre as crianças visitantes da feira e as crianças da própria comunidade de Mucugê.


FLIGÊ-PERGUNTA:

Qual é a relevância de integrar o público infantil nas atividades propostas pela feira.


CAZAZUL - RESPOSTA:

As ações voltadas para as crianças objetivam, num primeiro nível, proporcionar prazer no contato com a literatura, apresentando novas opções de entretenimento para além das tecnologias digitais. Por exemplo, o uso do corpo nas brincadeiras conduzidas pela CazAzul são um modo de encarnar a experiência literária, bem como o uso de elementos visuais nas peças e cenas teatrais, de modo a tornar multi-sensorial a experiência artística.


E as ações voltadas ao público infantil vão além: atuam na criação de memórias positivas; desenvolvimento de habilidades criativas a partir do estímulo da imaginação pelo uso da palavra; aumento do repertório simbólico; desenvolvimento da empatia, ao se colocar no lugar de um personagem.

Integrar o público infantil na Feria Literária é um movimento essencial, que acreditamos deva ser cada vez mais ampliado e potencializado. Representa a possibilidade dessas crianças se tornarem não apenas leitores, mas produtores da literatura do futuro, com reflexão, pensamento crítico e consciência social.



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